As empresas de tecnologia estão se afogando em informações — mas o que elas precisam são informações prontas para ações para a resiliência da cadeia de suprimentos. Todos esperavam que a revolução dos dados transformasse a forma como as empresas gerenciam todos os aspectos de seus negócios. Ter os dados certos colocaria os líderes em posição de detectar oportunidades e desafios com antecedência e agir adequadamente.
Em particular, as cadeias de suprimentos pareciam prontas para colher vantagens significativas. Isso é fundamental diante dos desafios contínuos — e muitas vezes crescentes — da cadeia de suprimentos, incluindo tensões geopolíticas e conflitos, mudanças climáticas e condições climáticas adversas, escassez de mão de obra e lacunas de talentos. Mas não funcionou assim:
- A recente pesquisa da Maersk sobre resiliência da cadeia de suprimentos, Rumo à Mudança, revelou que, em média, as empresas de tecnologia perderam mais de 3,6% de receita anual devido a disrupções na cadeia de suprimentos em seu mais recente ano fiscal.
- Nossa pesquisa com líderes experientes de cadeia de suprimentos, logística e operações no setor de tecnologia mostrou que o problema não é a falta de dados. Trata-se de transformar esses dados em informações prontas para ações.
- Cerca de um terço das empresas de tecnologia em nossa pesquisa dizem que não contam com as habilidades para fazer isso. Isso cria “pontos cegos”, desacelerando a tomada de decisão e enfraquecendo a resiliência da cadeia de suprimentos.
A lacuna de informações de dados na resiliência da cadeia de suprimentos
"Não há falta de dados", diz Matteo Pecci, diretor operacional da fabricante de pequenos eletrodomésticos De’Longhi. "Mas há uma lacuna na capacidade de processar esses dados e transformá-los em indicadores significativos que apoiem a tomada de decisões em todas as funções."
Muitas empresas de tecnologia enfrentam esses desafios. Estão perdendo oportunidades de otimizar seus fluxos da cadeia de suprimentos e estão achando difícil priorizar e coordenar ações em todas as funções de negócios e com parceiros chave.
Mas isso não precisa ser assim.
A análise dos “líderes em resiliência” em nossa pesquisa — empresas de tecnologia que perderam menos de 1% da receita devido a disrupções na cadeia de suprimentos no último ano fiscal — mostra que essas empresas são mais eficazes na extração de insights a partir de dados.
- Enquanto apenas 6% dos líderes não têm visibilidade dos lead times de componentes críticos ou produtos acabados, esse número chega a 25% entre as empresas menos resilientes (os “seguidores”).
- Enquanto apenas 3% dos líderes não têm clareza sobre sua exposição a riscos geopolíticos, esse número chega a 18% entre as empresas de baixa resiliência.
- Nenhum dos líderes relatou dificuldades para acessar níveis de estoque em tempo real de produtos de alto valor ou sensíveis ao tempo, enquanto 18% dos seguidores apontaram baixa visibilidade.
Independentemente da origem — parceiros da cadeia de suprimentos, sistemas internos ou indicadores macroeconômicos — os líderes se destacam na extração de dados relevantes.
Isto os coloca em posição de gerenciar custos da cadeia de suprimentos. Empresas que enxergam com antecedência a próxima escassez de matérias-primas, por exemplo, podem fazer estoques antes que os preços aumentem.
Perguntadas quais recursos ou capacidades ausentes mais ajudariam a equilibrar a agilidade da cadeia de suprimentos com estabilidade de longo prazo, empresas de tecnologia mencionaram com mais frequência a visibilidade de risco em tempo real e informações prontas para ações.
Cadeias de suprimentos do setor de tecnologia: da sobrecarga à ação
Então, como as empresas devem enfrentar o dilúvio de dados?
1. Obtendo mais informação dos dados que você já tem
Uma prioridade, sugere o CEO Pecci, da De’Longhi, deve ser extrair informações de melhor qualidade dos dados já disponíveis. "Agora estamos trabalhando em ferramentas que resumem dados com o objetivo de que sejam mais úteis para a tomada de decisões", diz ele sobre a abordagem de sua empresa.
Ferramentas de planejamento financeiro baseadas em cenários, por exemplo, podem ajudar as empresas a passar de um foco em pontos de dados teóricos para objetivos reais. No entanto, menos da metade das empresas de tecnologia as utilizam para melhorar a resiliência financeira da cadeia de suprimentos.
2. Transformando indicações em decisões ágeis
As empresas também devem procurar acelerar a conversão de dados em insights. A empresa global de serviços de manufatura de eletrônicos Jabil construiu sua própria plataforma capaz de avaliar o impacto de uma enorme variedade de sinais de risco externos em fornecedores e componentes chave.
Frank McKay, Diretor de Cadeia de Suprimentos e Aquisições da Jabil, explica: "Nós mineramos a web para obter informações e assinamos uma variedade de fontes de dados, que, em seguida, combinamos com a própria experiência de nossos profissionais para nos ajudar a tomar decisões mais bem informadas e com agilidade."
Isso coloca a Jabil em posição de reagir rapidamente até mesmo aos eventos mais inesperados, como o recente terremoto no sudeste de Ásia. "Em segundos, pudemos começar a trabalhar em planos de contingência e identificar onde poderíamos precisar usar fornecedores alternativos", diz ele.
3. Configurando torres de controle
Na Schneider Electric, implementar "um ecossistema de gêmeos digitais" e configurar torres de controle tem sido crucial para coletar, processar e analisar dados de 153 fábricas e 27.000 fornecedores. "Suas pilhas de tecnologia e infraestruturas de dados são fundamentais", diz Stuart Whiting, Vice-Presidente Sênior de Cadeias de Suprimentos Globais – Logística, Planejamento e Serviços. "Podemos intervir ou manipular proativamente onde houver um desafio em qualquer ponto de contato em particular até esse ponto de entrega."
4. Desenvolvendo talentos
Para obter o melhor dos dados, da tecnologia e da infraestrutura, as empresas precisam do talento certo. Nossa pesquisa mostra que quase 4 em cada 10 empresas de tecnologia têm uma necessidade urgente de adicionar habilidades de análise e interpretação de dados às suas equipes de cadeia de suprimentos nos próximos dois anos. "Você tem que certificar-se de ter as competências certas para realmente aproveitar o que a tecnologia e os dados trazem", diz Whiting.
5. LSPs como parceiros para insights
Os fornecedores de serviços logísticos (LSPs) têm um papel crucial a desempenhar ao ajudar as empresas de tecnologia na extração de informações de seus dados. Ferramentas e serviços como o Supply Chain Management (SCM) e o Supply Chain Resilience Model da Maersk dão suporte à agilidade e à visibilidade da cadeia de suprimentos. O modelo de SCM da Maersk também pode prever interrupções e recomendar ações para garantir que a logística permaneça ininterrupta.
Muitas empresas de tecnologia já integram LSPs aos seus ecossistemas de dados, mas os líderes são 13% mais propensos do que os seguidores a adotar essa prática. No entanto, muitos seguidores indicam que estão interessados em colaborar no futuro.
A Schneider Electric está entre as empresas de tecnologia líderes nesse sentido. "Temos sido bastante estratégicos com nossos parceiros de logística", diz Stuart Whiting. "Embora tenhamos vários LSPs, co-hospedamos em nossas torres de controle para podermos garantir soluções e execução de ponta a ponta."
Serviços para visibilidade e resiliência
- Supply Chain Management
As soluções Maersk SCM combinam dados de embarque e sistemas de gerenciamento de partes interessadas para agilizar sua logística de ponta a ponta. Nossas soluções de SCM são habilitadas digitalmente por plataformas de tecnologia modernas, tornando as cadeias de suprimento mais simples e conectadas de maneira melhor em todo o percurso, para ir além. - Control Towers
Parte do nosso conjunto de ferramentas de gerenciamento de cadeia de suprimentos, control towers oferecem monitoramento baseado em exceções para detectar problemas, fornecer opções de redirecionamento e agir em nome de nossos clientes. - Visibility Studio
Nossa solução de rastreamento de embarque em tempo real fornece insights preditivos e prontos ação sobre disrupções, congestionamentos, confiabilidade de prazos e gestão de Detention em uma única plataforma. - Modelo de Resiliência da Cadeia de Suprimentos
Nosso modelo personalizável aproveita a visibilidade em tempo real e insights preditivos para gerenciar disrupções, aprimorar operações e garantir a continuidade da cadeia de suprimentos.
O que fazer a seguir para a resiliência da cadeia de suprimentos
Para melhorar o uso de dados, as empresas devem se concentrar em quatro prioridades:
- Melhorar a arquitetura de dados — quebrar silos, consolidar sistemas e integrar todos os feeds internos e externos.
- Adquirir ferramentas mais inteligentes — investir em funcionalidades como gêmeos digitais, IA e análise preditiva, com foco em soluções que suportem a tomada de decisões em alta velocidade.
- Construir conjuntos de habilidades — fortalecer as competências em torno da análise e interpretação de dados, para que as equipes estejam confiantes em sua capacidade de agir rapidamente.
- Reforçar parcerias — usar relações com fornecedores e LSPs para aumentar o acesso a dados e informações; integrar parceiros em estruturas de planejamento e controle para sustentar a tomada de decisões coletivas e ações conjuntas.
O objetivo é fazer a transição da sobrecarga de dados para a vantagem de dados. Insights são a moeda da resiliência, e as empresas líderes no setor de tecnologia já não se deixam abalar por disrupções. Em vez disso, entendem como interpretá-la e, acima de tudo, como agir de maneira decisiva para contê-la, aproximando-se muito mais da resiliência da cadeia de suprimentos.
Prepare-se para fazer a resiliência da cadeia de suprimentos inteligente ir além! Explore o relatório completo Rumo à Mudança e saiba mais sobre o Supply Chain Resilience Model da Maersk; ou, para obter mais tendências e insights sobre logística, leia e baixe The Logistics Trend Map.

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